Mercado de trabalho remoto em 2026
O Nubank anunciou oficialmente o fim do home office integral para a maioria de seus funcionários. A partir de julho de 2026, o banco digital adotará o modelo híbrido com dois dias presenciais obrigatórios por semana, aumentando para três dias em janeiro de 2027. A decisão afeta diretamente os profissionais que buscavam no Nubank uma referência de trabalho remoto no setor financeiro brasileiro.
O anúncio foi feito em 6 de novembro de 2025 por David Vélez, fundador e CEO do Nubank, em carta aos funcionários. A empresa, que cresceu de 59 milhões para 122 milhões de clientes na América Latina durante o período remoto, justificou a mudança como necessária para fortalecer cultura, acelerar inovação e melhorar a excelência operacional.
Para os profissionais que construíram suas carreiras no modelo remoto, a decisão representa um alerta sobre as tendências do mercado de trabalho em 2026. Dados mostram que 65% dos brasileiros trocariam de emprego para manter o home office, enquanto 80% das empresas planejam reduzir ou encerrar o trabalho remoto.
Como funciona o novo modelo híbrido do Nubank a partir de 2026?
A transição ocorrerá em três fases. No primeiro semestre de 2026, o modelo atual permanece como referência, mas gestores já podem estimular a presença voluntária. A partir de 1º de julho de 2026, cerca de 70% das equipes deverão cumprir dois dias presenciais por semana em dias e locais designados por unidade de negócio. Em 1º de janeiro de 2027, a exigência sobe para três dias semanais.
O banco planeja investir mais de R$ 2,5 bilhões em novos escritórios no Brasil nos próximos cinco anos. Em São Paulo, o Nubank ocupará dois novos prédios a partir de 2027, totalizando 5.700 estações de trabalho na região de Pinheiros. Também serão inauguradas unidades em Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de expansão nos escritórios da Cidade do México, Bogotá e em cidades americanas como Miami e Palo Alto.
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O Nubank atualmente possui 9.500 funcionários. O anúncio gerou reação imediata: em 12 de novembro de 2025, trabalhadores divulgaram manifesto contra o fim do home office, relatando que aceitaram as vagas no banco justamente pelo regime remoto e estruturaram suas vidas familiares e financeiras em outras cidades.
Quais são as exceções à política de retorno ao escritório do Nubank?
O Nubank prevê exceções fixas e temporárias. Permanecem no modelo remoto funcionários de níveis até IC6 (cargos técnicos sem gestão) em capítulos específicos: Xpeers, Investor Help, Ouvidoria, Data Labeling, Investigação de Crimes Financeiros, Regulatory Solutions e Talent Acquisition. Essas funções, por sua natureza, exigem pouca ou nenhuma interação com outras equipes.
Funcionários podem solicitar exceções pessoais ou extensões do prazo de implementação. O banco também oferece auxílio realocação única para colaboradores elegíveis que precisarem se mudar para mais perto do escritório designado. Contudo, relatos em plenária virtual organizada pelo Sindicato dos Bancários apontam que o formulário de exceções só está disponível para cargos com certo nível de senioridade.
"Nos últimos cinco anos, o Nubank prosperou em um ambiente prioritariamente remoto. Mas os custos invisíveis do trabalho remoto — a energia que se perde, as conversas que se tornam transacionais, os momentos espontâneos que desaparecem — nos levaram a esta decisão" — David Vélez, fundador e CEO do Nubank
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realizou plenária virtual que reuniu quase 300 participantes. Entre as reivindicações estão a reversão da política, maior transparência nos critérios de exceção e a reintegração de 14 funcionários demitidos após manifestações contrárias à decisão. O Nubank afirma que mantém "canais e rituais abertos para o livre debate entre seus funcionários, mas não tolera desrespeito ou violações de conduta".
O que o fim do home office no Nubank significa para o mercado de trabalho em 2026?
A decisão do Nubank reflete uma tendência mais ampla. Segundo levantamento da LiveCareer de março de 2026, 51% das empresas brasileiras já funcionam integralmente de forma presencial, 41% adotam o modelo híbrido e apenas 9% mantêm equipes totalmente remotas. Entre as empresas que reduziram o home office, 41% enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados, segundo a Korn Ferry.
Para profissionais que buscam trabalho remoto, o cenário se torna mais desafiador mas não impossível. Dados do IBGE apontam que 9,5 milhões de brasileiros trabalham em regime remoto atualmente — cerca de 10% da força de trabalho. O Ipea estima que 22,7% das ocupações (mais de 20 milhões de postos) poderiam ser exercidas à distância. Os setores com maior concentração de vagas flexíveis são Tecnologia da Informação, Marketing e Comunicação e Finanças e Contabilidade.
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Sylvestre Mergulhão, CEO da Impulso, empresa especializada em soluções para times de tecnologia, afirma que 2026 será o ano da escolha definitiva: "As empresas terão que decidir se constroem culturas baseadas em confiança e resultados, ou se retornam para modelos de controle que já se provaram menos eficazes. Os dados estão disponíveis e são fidedignos: a flexibilidade transformou-se em uma estratégia empresarial, e não em um mero benefício".
4 em cada 5 funcionários que trabalharam em modelos híbridos nos últimos 2 anos querem mantê-los — Fonte: McKinsey
90% dos trabalhadores remotos globais consideram que são tão ou mais produtivos em casa do que seriam no escritório — Fonte: Hrstacks
A saída do Nubank do modelo remoto integral não significa o fim do home office no Brasil. Mas sinaliza que mesmo empresas nativamente digitais estão recalibrando suas políticas de trabalho. Para profissionais que valorizam a flexibilidade, o momento exige atenção às políticas de cada empregador e, em muitos casos, disposição para negociar ou buscar empresas que ainda mantêm o trabalho remoto como diferencial competitivo.