Reação após anúncio do banco digital

Os bancários do Nubank decidiram recorrer da decisão da empresa de encerrar o modelo remoto e adotar regime híbrido obrigatório a partir de 2026. A posição foi definida em plenária virtual realizada em 12 de novembro de 2025, que reuniu cerca de 300 trabalhadores e consolidou a orientação de buscar diálogo e reverter as mudanças anunciadas. O Sindicato dos Bancários informou que pressionará o Nubank para reverter o fim do home office e discutir as demissões que ocorreram após manifestações internas.

O anúncio do Nubank foi feito em 6 de novembro de 2025, quando o CEO David Vélez comunicou internamente que a empresa exigirá dois dias presenciais por semana a partir de julho de 2026 e três dias por semana a partir de janeiro de 2027. Atualmente, o modelo prevê apenas uma semana presencial por trimestre. A decisão afeta aproximadamente 9.500 funcionários do banco digital, considerado um dos maiores empregadores de tecnologia do país.

Por que os funcionários estão contestando a decisão do Nubank

Os bancários relataram que ingressaram na empresa com a promessa de trabalho remoto e montaram sua vida familiar e financeira com base nesse formato. A mudança exigiria migração para cidades onde o Nubank tem escritórios, principalmente São Paulo, o que foi apontado como inviável para grande parte do quadro. Foram mencionados impactos específicos sobre cuidadores de crianças, idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores neurodivergentes, grupos que dependem da flexibilidade do home office para conciliar trabalho e cuidados pessoais.

Além disso, houve críticas à ausência de dados que justificassem a mudança e ao fato de a empresa não ter aberto negociação prévia. O manifesto elaborado por trabalhadores do Brasil, México e Colômbia critica a imposição do retorno presencial e afirma que o crescimento da empresa ocorreu justamente com equipes remotas. O documento também solicita a reintegração dos demitidos. Dirigentes sindicais informaram que buscarão tratar o tema nas próximas reuniões e reforçaram que a entidade não aceitará retaliações ligadas às manifestações sobre o regime de trabalho. Veja mais sobre o que os profissionais pensam sobre o retorno ao presencial.

A decisão do Nubank de encerrar o home office gerou protestos imediatos de colaboradores. Funcionários que se manifestaram contra a mudança durante uma reunião interna com o CEO David Vélez foram demitidos por justa causa — ao todo, 14 trabalhadores foram desligados. Segundo relatos, as demissões atingiram com maior intensidade funcionários de grupos minorizados, o que ampliou a insatisfação e motivou a mobilização sindical.

O que dizem as pesquisas sobre a preferência dos profissionais

A decisão do Nubank vai na contramão da preferência majoritária dos profissionais brasileiros, de acordo com levantamentos recentes. Pesquisa da Robert Half divulgada em 2026 revela que 70% dos trabalhadores aceitariam voltar ao presencial integral por um salário maior — mas isso significa que 30% não aceitariam nenhum valor para abrir mão da flexibilidade. O estudo também mostra que a remuneração continua sendo critério decisivo na escolha entre modelos de trabalho.

Internacionalmente, os dados seguem a mesma direção. O relatório State of Remote Work da Buffer, divulgado em 2025, aponta que 97% dos profissionais querem trabalhar remotamente pelo menos parte do tempo até o fim da carreira. A pesquisa, que ouviu trabalhadores de diversos países, mostra que a flexibilidade se consolidou como expectativa de longo prazo, e não como arranjo temporário. Empresas que abandonam o modelo remoto unilateralmente correm risco de perder talentos para concorrentes mais adaptáveis.

Sabemos que esta decisão será bem recebida por muitos de vocês. Para outros, irá gerar conturbação — especialmente para aqueles que moram longe de nossos escritórios, ou para aqueles que ingressaram no Nubank por causa da flexibilidade do trabalho remoto. — David Vélez, CEO global do Nubank

A fala do CEO, incluída na mensagem interna que anunciou a mudança, reconhece explicitamente o impacto da decisão sobre parte dos funcionários. O executivo afirmou ainda que gostaria de ter feito a mudança antes, declarando em dezembro de 2025 que o modelo híbrido é "o melhor dos mundos" e que "invenção e criatividade não funcionam por Zoom".

O que o profissional de home office pode aprender com este caso

O caso do Nubank oferece lições importantes para profissionais que valorizam o trabalho remoto. A primeira é documentar acordos. Profissionais que ingressaram na empresa com a promessa de home office relatam que montaram suas vidas com base nesse formato, mas não há garantia formal de permanência do modelo. A segunda é diversificar fontes de renda. Profissionais de tecnologia têm acesso a mercados internacionais — países como Portugal e Emirados Árabes oferecem vistos específicos para nômades digitais. A terceira é se organizar coletivamente. A plenária que reuniu 300 funcionários do Nubank em poucos dias mostra que a mobilização coletiva pode influenciar decisões corporativas, mesmo em empresas de grande porte. Saiba como conseguir trabalho remoto internacional.

Para os profissionais que permanecerão no Nubank, a empresa informou que oferecerá suporte para realocação dos funcionários que precisarem se mudar para perto dos escritórios, além de permitir exceções individuais para casos específicos. Os funcionários poderão solicitar adiamento da volta presencial com base em critérios como senioridade, desempenho, distância do escritório e situações pessoais, incluindo condições médicas — mas o CEO ressaltou que essas exceções serão raras e limitadas. A partir de julho de 2026, aproximadamente 70% das equipes trabalharão presencialmente por um mínimo de dois dias determinados por semana.

14 demissões por justa causa de trabalhadores que se manifestaram contra o fim do home office durante reunião interna com o CEO David Vélez. — Fonte: Sindicato dos Bancários

O Sindicato dos Bancários informou que novas plenárias podem ser convocadas e que uma reunião com a diretoria da empresa ocorreu em novembro de 2025. A entidade afirma que os Bancários vão recorrer da decisão do Nubank, buscar negociação e tentar reverter tanto o fim do home office quanto as demissões associadas à mudança. O desfecho desse embate pode estabelecer precedentes importantes sobre os limites da mudança unilateral de regime de trabalho em empresas de tecnologia.

A decisão do Nubank de encerrar o home office integral e a reação imediata dos funcionários, com recurso ao sindicato e ameaça de mobilização, mostram que o debate sobre modelos de trabalho está longe de um consenso. Enquanto a empresa alega que o presencial fortalece cultura e inovação, os trabalhadores apontam impactos pessoais e falta de diálogo. O desfecho desse impasse será acompanhado de perto por profissionais e empresas que ainda definem suas políticas de trabalho para 2026 e 2027.